Segurança pública vira principal arma eleitoral na corrida pelo Palácio Guanabara, com candidatos trocando acusações sobre relações políticas e presença em áreas dominadas pelo crime
A disputa pelo Governo do Rio de Janeiro ganhou um novo eixo nas últimas semanas: o combate ao crime organizado. Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL), principais nomes da corrida eleitoral, passaram a trocar acusações envolvendo a presença de grupos criminosos no estado, transformando a segurança pública em um dos principais campos de batalha da campanha.
Paes tem utilizado a situação para atacar o grupo político que esteve à frente do governo estadual nos últimos anos. Em um ato de campanha ao lado do presidente Lula, o ex-prefeito afirmou que o “crime organizado sentou no Palácio Guanabara”, em uma referência direta às gestões anteriores e ao ambiente político que marcou o estado.
O alvo dos ataques também passou a ser Douglas Ruas. Paes questiona a ligação política do candidato do PL com Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj que foi preso no âmbito da Operação Unha e Carne, investigação que apura suspeitas de vazamento de informações para integrantes do Comando Vermelho. Ruas, por sua vez, procura se desvincular dos antigos integrantes do grupo político e afirma que não mantém relações com políticos acusados de envolvimento com organizações criminosas.
Ruas adotou uma estratégia diferente para responder aos ataques. O candidato passou a questionar a capacidade de Paes de realizar campanha em regiões onde existem áreas sob influência de facções e milícias. A provocação abriu uma nova frente de confronto e levou os dois candidatos a disputar não apenas quem apresenta as propostas mais duras contra o crime, mas também quem possui maior legitimidade para falar sobre segurança pública.
A disputa chegou ao campo jurídico. O deputado federal Carlos Jordy (PL) pediu a impugnação da candidatura de Paes, alegando supostos vínculos políticos com pessoas investigadas por ligação com milícias. O pedido faz parte de uma escalada de acusações que vem acompanhando a campanha e que coloca relações políticas passadas e atuais sob escrutínio.
Paes também enfrenta acusações de outros adversários. Anthony Garotinho, candidato do Republicanos, passou a questionar tanto a relação de Ruas com integrantes do antigo grupo político do estado quanto a proximidade de Paes com nomes associados às milícias. O resultado é uma eleição na qual acusações sobre segurança e crime organizado passaram a ocupar espaço semelhante ao tradicional debate sobre saúde, educação e economia.
A mudança de foco ocorre justamente quando a segurança pública aparece entre as principais preocupações do eleitor fluminense. O tema também ganhou força no palanque presidencial. Ao lançar a candidatura de Ruas, Flávio Bolsonaro colocou o combate ao crime organizado no centro de seu discurso e defendeu medidas mais duras contra facções e milícias.
Enquanto isso, Paes tenta apresentar uma alternativa baseada em integração das forças de segurança e atuação do Estado nos territórios dominados pelo crime. Ao lado de Lula, afirmou que pretende enfrentar a criminalidade sem “pirotecnia” e defendeu uma atuação coordenada entre União e estado.
A consequência é uma campanha cada vez mais polarizada em torno da segurança. Paes tenta associar seus adversários ao histórico recente do governo estadual e aos problemas envolvendo organizações criminosas. Ruas procura apresentar-se como uma alternativa de direita capaz de endurecer o combate às facções, ao mesmo tempo em que tenta se desvincular de figuras do passado político do PL no estado.
Com a campanha eleitoral apenas começando, a tendência é que o tema continue no centro da disputa. No Rio, onde a expansão territorial de facções e milícias se tornou um dos principais desafios para o poder público, a pergunta sobre quem será capaz de enfrentar o crime já se transformou em uma das principais perguntas da eleição para o Palácio Guanabara.
