Com alta consistente em múltiplos levantamentos e forte capilaridade na Baixada e no interior, o candidato do PL ganha tração, reduz margens e transforma o cenário eleitoral fluminense em um embate de polarização direta com Eduardo Paes.
POR REDAÇÃO | RIO DE JANEIRO
A corrida eleitoral de 2026 para o Governo do Estado do Rio de Janeiro entrou em uma fase de inflexão estratégica. O que antes se desenhava como uma travessia relativamente confortável para o ex-prefeito da capital Eduardo Paes (PSD) passa agora por um processo de acirramento e afunilamento do eleitorado. O motor dessa dinâmica é o desempenho em ascensão do deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL), que vem registrando crescimento contínuo nos principais institutos de pesquisa e se firmando como a peça central do bloco oposicionista.
A evolução dos indicadores numéricos ao longo dos últimos dois meses reflete não apenas o início das movimentações mais intensas de campanha, mas também o efeito de arranjos políticos regionais e a busca do eleitorado conservador por uma liderança competitiva.
A anatomia do crescimento: o cruzamento das séries históricas
A leitura comparativa das séries temporais divulgadas por institutos de diferentes metodologias — do presencial ao recrutamento digital — evidencia que a ascensão de Douglas Ruas não representa uma oscilação pontual, mas uma tendência estrutural de consolidação.
1. Paraná Pesquisas: salto no eleitorado estimulado
No levantamento do instituto Paraná Pesquisas finalizado em setembro, a intenção de voto direta em Douglas Ruas rompeu a barreira dos 20 pontos percentuais no cenário principal, acumulando um ganho expressivo em relação às medições anteriores:
- Eduardo Paes (PSD): oscilou de 44,5% (agosto) para 43,5% (setembro).
- Douglas Ruas (PL): saltou de 15,5% (agosto) para 20,3% (setembro), um ganho líquido de quase 5 pontos percentuais em poucas semanas.
- Anthony Garotinho (Republicanos): recuou de 11,6% para 9,8%, perdendo espaço na disputa pelo segundo lugar.
- Demais postulantes: André Marinho (Novo) registra 3,4%, seguido por Cyro Garcia (PSTU) com 2,3%, Coronel Busnello (Missão) com 1,6%, Juliete (UP) com 1,4% e William Siri (PSOL) com 1,1%.
- Votos nulos, brancos e indecisos: somam 16,1%.
Nota metodológica: Pesquisa registrada sob o número RJ-01671/2026, realizada com 1.600 eleitores presencialmente entre 5 e 7 de setembro de 2026, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%.
2. O impacto dos cenários sem Garotinho
Com a indefinição jurídica que envolve a postulação de Anthony Garotinho, os institutos passaram a testar cenários sem o ex-governador. É justamente nessa simulação que o potencial de absorção de votos por Ruas se torna mais evidente.
No Paraná Pesquisas, sem a candidatura do Republicanos, Douglas Ruas atinge 22,7% das intenções de voto (contra 18,6% em agosto), sinalizando que o candidato do PL é o principal herdeiro da rejeição ao grupo governista no interior e na Baixada Fluminense.
3. Realtime Big Data e AtlasIntel: confirmação de tendência
O movimento de alta é chancelado por outros levantamentos de alcance nacional:
- Realtime Big Data: Ruas evoluiu de 16% em julho para 21% em setembro, estabelecendo um piso firme acima dos vinte pontos.
- AtlasIntel / Estadão: Em sondagem realizada via painel web aleatório, a distância entre a liderança e o segundo colocado encurtou de maneira ainda mais acentuada. No cenário com múltiplos candidatos, Paes registrou 43,6% contra 27,6% de Ruas. Ao isolar o cenário sem Garotinho na amostra da AtlasIntel, o candidato do PL alcança 32,6%, entrando na margem de alcance para um eventual segundo turno altamente competitivo.
Os fatores por trás da tração eleitoral
Analistas políticos e estrategistas de campanha atribuem a aceleração do candidato do PL a uma combinação de fatores geográficos, institucionais e ideológicos:
- A base territorial da Baixada e do Leste Fluminense: A forte presença da família Ruas na Região Metropolitana — com destaque para São Gonçalo e cidades vizinhas — serve como ancoragem inicial de votos. A partir dessa base, a campanha conseguiu expandir pontes com prefeitos do interior do estado, garantindo palanques locais estruturados que faltavam a outros concorrentes do campo oposicionista.
- O papel institucional na Alerj: Na presidência da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas manteve visibilidade constante ao liderar votações de apelo público direto, sobretudo as voltadas ao orçamento da segurança pública, à infraestrutura regional e à concessão de incentivos fiscais para municípios fora da capital.
- A unificação do campo conservador: Com a definição gradual dos apoios das legendas de centro-direita e o aval do PL nacional, Ruas passou a ser percebido pelo eleitorado antichavista/anti-Paes como o único nome com viabilidade técnica e eleitoral para rivalizar com a máquina administrativa da capital.
O cenário para o segundo turno e os desdobramentos
Se a primeira fase da pré-campanha foi marcada pelo domínio quase absoluto da lembrança de nome de Eduardo Paes — sustentado pela visibilidade da gestão na capital —, o momento atual inaugura uma disputa de rejeição e comparação de modelos de gestão.
Para o grupo de Paes, o crescimento de Ruas impõe a necessidade de antecipar o debate regional e ampliar a presença em redutos fora da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Para a aliança liderada pelo PL, a meta até o início do horário eleitoral gratuito é superar a barreira dos 25% de intenção fixa de voto, garantindo a passagem para o segundo turno em condições de polarização direta.
Com as pautas de segurança pública, combate à criminalidade organizada e recuperação fiscal do Estado no topo das prioridades do eleitorado fluminense, os próximos meses indicarão se a tendência de alta de Douglas Ruas conseguirá romper o teto histórico da oposição ou se Paes sustentará a vantagem construída na capital.
