(Brasília - DF, 27/04/2020) Coletiva de imprensa com Ministro da Saúde, Nelson Teich. Fotos: José Dias/PR

RIO DE JANEIRO – O cenário político fluminense consolidou, nas urnas do último domingo, 4 de outubro de 2026, a força de lideranças ligadas ao eleitorado conservador. Entre os nomes de destaque, o General Eduardo Pazuello (PL) carimbou seu passaporte para mais quatro anos na Câmara dos Deputados. O ex-ministro da Saúde foi reeleito deputado federal pelo Rio de Janeiro, obtendo 146.148 votos (1,65% dos votos válidos do estado), o que o posicionou como o 10º candidato mais votado do Rio de Janeiro.

A vitória do militar da reserva coroa um ciclo de transição de carreira iniciado de forma turbulenta na pandemia e que, agora, se estabiliza em um mandato legislativo de forte apelo popular na direita.


🏛️ As Urnas de 2026: Consolidação e Desempenho

Embora tenha registrado uma redução no volume total de votos em comparação com sua estreia eleitoral em 2022 — quando surfou no auge da polarização como o segundo deputado mais votado do estado com 205.324 votos —, Pazuello assegurou uma posição sólida dentro da bancada do Partido Liberal (PL), que elegeu 15 deputados federais em território fluminense.

O resultado garante a continuidade do militar na coligação que faz oposição e contrapeso ideológico no Congresso Nacional. Ele tomará posse para o novo mandato em 1º de janeiro de 2027.


🎖️ A Longa Jornada nas Forças Armadas: Praticamente 40 Anos de Logística

Nascido na capital fluminense em 1963, Eduardo Pazuello construiu uma sólida carreira de quase 40 anos no Exército Brasileiro antes de ingressar nos holofotes da política nacional. Sua caminhada militar começou com a escolha por uma área estritamente técnica, moldando seu perfil como especialista em administração, finanças e movimentação de tropas.

  • Formação e Especialização Acadêmica: Graduou-se na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) em 1984, escolhendo a arma de Intendência — o braço do Exército responsável por suprimentos, transportes e logística. Mais tarde, concluiu o curso de Comando e Estado-Maior no Exército (ECEME) e o curso de Política e Estratégia Aeroespaciais na Força Aérea Brasileira (FAB).
  • Comandos Operacionais de Elite: Como oficial superior, comandou o 20º Batalhão Logístico Paraquedista (20º B Log Amv), prestando suporte à histórica Brigada de Infantaria Paraquedista. Também dirigiu o Depósito Central de Munição (DCMun) em Seropédica (RJ), um dos maiores centros de armazenamento de armamento do país.
  • Ascensão e Grandes Eventos: Promovido a General de Brigada (duas estrelas) em 2014 e a General de Divisão (três estrelas) em 2018, Pazuello ganhou projeção ao atuar como o coordenador geral de logística das forças do Exército nas Olimpíadas Rio 2016. Ele também gerenciou cifras expressivas na Assessoria de Planejamento, Programação e Controle Orçamentário do Comando Logístico (COLOG).
  • A Operação Acolhida: Entre 2018 e o início de 2020, o general coordenou a força-tarefa humanitária do governo federal na fronteira com a Venezuela. Pazuello liderou a montagem de acampamentos, triagem médica e a logística de distribuição interna de milhares de refugiados venezuelanos por Estados brasileiros. Paralelamente, em 2018, atuou como secretário de Fazenda de Roraima durante o período de intervenção federal.
  • Comando da 12ª Região Militar (Manaus): Em janeiro de 2020, assumiu o comando da unidade conhecida como a "Região da Amazônia Ocidental", coordenando o apoio logístico e administrativo de todos os quartéis nos estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. Foi deste posto que saiu diretamente ao ser convocado para Brasília.

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💼 A Atuação Parlamentar: Projetos e Emendas na Primeira Legislatura

Ao longo de seu primeiro mandato (2023–2026), Pazuello assumiu postos de relevância partidária, atuando como Vice-Líder do PL e exercendo a 2ª Vice-Presidência da Comissão de Minas e Energia. Sua atividade legislativa pautou-se fortemente pelo endurecimento penal, segurança pública e energia:

  • Endurecimento de Leis e Segurança: Apresentou o PL 619/2024, que defende o cumprimento da prisão imediatamente após condenação em segunda instância e restringe as audiências de custódia. Também propôs o PL 2362/2026, elaborado para barrar a progressão de regime prisional a criminosos reincidentes em delitos contra a dignidade sexual. Na área antiterrorismo, propôs o PL 2730/2026, que visa ampliar os critérios para enquadramento de atos terroristas no país.
  • Liderança em Frentes Parlamentares: Consolidou influência política ao assumir a presidência da Frente Parlamentar em Apoio ao Petróleo, Gás e Energia (FREPPEGEN) — que reúne cerca de 270 congressistas — e a liderança da frente mista voltada ao acolhimento humanitário de refugiados.
  • Destinação Orçamentária e Emendas: Conforme dados oficiais do Portal da Câmara, a atuação orçamentária do parlamentar concentrou recursos expressivos voltados ao seu estado natal, com destaque para a destinação de mais de R$ 21 milhões em emendas carimbadas para as áreas de Assistência Hospitalar, Ambulatorial e Atenção Primária no Rio de Janeiro. Ele também direcionou recursos de emendas orçamentárias diretamente para o suporte e manutenção de organizações militares do próprio Exército e da Polícia Militar fluminense.

🩺 O Batismo de Fogo Político: O Ministério da Saúde

A vida de Pazuello mudou drasticamente em maio de 2020. Em meio à crise global da pandemia de Covid-19 e após as saídas consecutivas dos médicos Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, o general — até então pouco conhecido pelo grande público — foi nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro como secretário-executivo e, posteriormente, efetivado como Ministro da Saúde.

Sua gestão, que durou de maio de 2020 a março de 2021, foi uma das mais debatidas da história recente do país:

  • Logística de Vacinação: Sob seu comando, o Brasil deu início ao Plano Nacional de Imunização (PNI) contra o coronavírus. Suas defesas públicas focavam na complexidade de distribuir insumos simultaneamente a milhares de municípios.
  • Crises e Comissões: Pazuello enfrentou forte desgaste político e midiático, intensificado pela crise de escassez de oxigênio hospitalar em Manaus no início de 2021. Ele foi um dos principais alvos da CPI da Covid no Senado, mas acabou posteriormente absolvido pela Justiça Federal nas investigações sobre o colapso do insumo no Amazonas.
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🇧🇷 A Transição Definitiva para a Vida Parlamentar

Após deixar o ministério, o general permaneceu brevemente no Palácio do Planalto como assessor especial. No entanto, a proximidade com palanques políticos gerou atritos institucionais com a cúpula do Exército, visto que o Estatuto dos Militares proíbe rigidamente manifestações políticas de militares da ativa.

Para pacificar as tensões na caserna, em março de 2022 foi formalizada a transferência de Pazuello para a reserva remunerada do Exército. Livre das amarras regulamentares, ele filiou-se ao PL e mergulhou na campanha eleitoral daquele ano.

Eleito em 2022 com votação expressiva, Pazuello utilizou seu primeiro mandato na Câmara para se blindar juridicamente, reforçar o discurso de defesa das pautas de segurança pública e atuar no reduto eleitoral fluminense.


🔮 Próximos Passos (2027-2031)

Com a reeleição chancelada em 2026, Eduardo Pazuello ingressa em uma nova legislatura consolidado não mais como um "militar emprestado à política", mas como um quadro partidário estabelecido do conservadorismo do Rio de Janeiro. Nos próximos quatro anos, o general deve focar suas articulações nas comissões de Segurança Pública e de Defesa Nacional, mantendo-se fiel à base aliada que o resgatou do turbulento período da pandemia.

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