Evento reuniu lideranças do MDB, PSD e Republicanos no comitê eleitoral em Goiás, com discursos focados em endurecimento de penas, segurança pública e críticas ao STF.
GOIÂNIA — O cenário eleitoral para a disputa do segundo turno da eleição presidencial teve um desdobramento decisivo na capital goiana nesta terça-feira. Durante evento político realizado no comitê central de campanha do MDB, no Setor Bueno, em Goiânia, o ex-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) anunciou oficialmente seu apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL). O anúncio foi acompanhado pela declaração de apoio do governador eleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB).
O encontro contou com a presença de diversas autoridades políticas, entre elas o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) — que obteve 62% dos votos no estado paulista —, além dos senadores eleitos Gustavo Gayer (PL) e Gracinha Caiado (União Brasil). No primeiro turno, realizado no domingo, Flávio Bolsonaro liderou a votação nacional com 47,03% dos votos válidos (56,1 milhões de votos), enquanto o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou 45,16% (53,8 milhões de votos). Ronaldo Caiado terminou a disputa na quinta colocação, somando 2.605.148 votos (2,18% dos válidos), montante superior à diferença de 2,3 milhões de votos que separa os dois finalistas.
Alianças Regionais e Apelo à Coerência Política
Ao discursar para a militância e apoiadores reunidos no comitê de campanha, Ronaldo Caiado relembrou a sua amizade de longa data com o ex-presidente Jair Bolsonaro e ressaltou que a decisão de apoiar o candidato do PL representa a continuidade da sua trajetória política em oposição ao PT. O ex-governador afirmou que a mobilização em Goiás será realizada em tempo integral para garantir uma expressiva votação no estado no próximo dia 25 de outubro.
Em seu pronunciamento, Caiado reforçou a importância do engajamento eleitoral e pontuou a busca por pautas conjuntas na área de segurança pública e no Congresso Nacional, incluindo a discussão sobre o projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
A senadora eleita Gracinha Caiado também enfatizou a união de forças nesta segunda etapa do pleito, declarando que as divergências registradas na primeira fase são significativamente menores do que os pontos de convergência que unem os grupos políticos no momento atual.
Propostas para a Segurança Pública e Bandeiras Penais
Durante a sua fala no evento, Flávio Bolsonaro detalhou prioridades de sua plataforma de governo voltadas para o combate à criminalidade e o endurecimento da legislação penal. O candidato defendeu a classificação formal de grandes facções criminosas e milícias como organizações narcoterroristas, propondo penas de até 80 anos de reclusão para os líderes dessas estruturas.
Entre as propostas apresentadas no comitê, o senador destacou o aumento de penas para crimes de violência contra a mulher, prevendo sanções de até 40 anos para agressores, além da aplicação de castração química para condenados por abusos e estupros de mulheres e crianças. Flávio Bolsonaro voltou a defender a redução da maioridade penal para 16 anos, atrelada à permissão para que jovens dessa faixa etária possam obter a carteira nacional de habilitação.
Questionamentos ao Poder Judiciário e Projeções para o STF
O tom das falas no encontro em Goiânia também incluiu duras críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Tanto Caiado quanto Flávio Bolsonaro abordaram a relação entre o Poder Executivo e a Suprema Corte, com críticas direcionadas às decisões do ministro Alexandre de Moraes e às condenações impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro enfatizou o impacto das futuras indicações para o tribunal caso seja eleito, sinalizando que os nomes submetidos à aprovação do Senado Federal seguirão critérios alinhados a pautas conservadoras, como a oposição ao aborto e à descriminalização das drogas. O candidato afirmou que suas escolhas buscarão reestabelecer a segurança jurídica e a independência entre as instituições. A votação decisiva do segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva está confirmada pela Justiça Eleitoral para o dia 25 de outubro.
