Com início em 1955 para responder ao aumento expressivo de peregrinos, a construção da Basílica Nova contou com mobilização popular e apoio governamental.

O Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, localizado no interior de São Paulo, consolida-se como a maior igreja católica do Brasil e o maior templo dedicado à Virgem Maria no mundo. A dimensão atual do complexo religioso é resultado direto do crescimento do fluxo de peregrinos ao longo dos séculos e de um plano de expansão estrutural iniciado na década de 1940.

Origem histórica e evolução das edificações

A devoção teve início em outubro de 1717, quando pescadores resgataram uma imagem de Nossa Senhora nas águas do Rio Paraíba do Sul. A narrativa sobre a pescaria abundante que se seguiu impulsionou as primeiras manifestações de fé na região.

Com o avanço do público devoto, a primeira estrutura física para abrigar a imagem foi inaugurada em 1745, no Morro dos Coqueiros. As ampliações subsequentes culminaram na inauguração da chamada Basílica Histórica, em 1888.

A alteração no status do templo ganhou novo ritmo em 1930, quando o Papa Pio XI declarou Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil. O aumento na malha rodoviária nacional no período pós-guerra também facilitou o acesso à cidade, sobrecarregando a capacidade da antiga igreja.

O projeto da Basílica Nova

Para suprir a demanda, a pedra fundamental do novo templo foi lançada em 10 de setembro de 1946 no Morro das Pitas. A fase de concretagem da Nave Norte teve início em 11 de novembro de 1955.

  • Projeto e Engenharia: A obra foi desenhada pelo arquiteto Benedito Calixto de Jesus Neto, com cálculo estrutural do engenheiro Paulo Franco Rocha.
  • Consagração: O altar da nova basílica foi consagrado pelo Papa João Paulo II durante sua visita ao Brasil em 1980.
  • Transferência da Imagem: A imagem original foi transferida para o novo templo em 3 de outubro de 1982.
  • Reconhecimento: Em 1983, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) formalizou a edificação como Santuário Nacional.

Financiamento e participação governamental

O custeio das obras envolveu mobilização popular e aportes institucionais:

  • Mobilização popular: Doações de fiéis arrecadadas em diversas regiões do país garantiram recursos financeiros e suprimento de materiais.
  • Aporte estatal: A estrutura metálica da Torre Brasília — fabricada pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) — foi doada em 1963 pelo então presidente Juscelino Kubitschek. Posteriormente, a Passarela da Fé, responsável por interligar a Basílica Nova e a Histórica, foi custeada com verbas federais durante o governo de Emílio Garrastazu Médici.
  • Manutenção contínua: Em 1999, o complexo instituiu a Família dos Devotos (anteriormente Campanha dos Devotos) para arrecadação permanente voltada à manutenção e obras de acabamento.

Impacto e turismo religioso

Atualmente, o Santuário representa um dos principais polos de turismo e movimentação econômica no setor religioso do país, registrando os maiores picos de visitação anuais durante as celebrações do dia 12 de outubro.

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