Federação “União Progressista” composta por PP e União Brasil alinha suas bancadas e declara apoio unânime ao candidato do PL na disputa presidencial.

BRASÍLIA — O cenário de alianças para a disputa do segundo turno da eleição presidencial ganhou uma definição central no campo da centro-direita. A federação União Progressista, formada formalmente pelos partidos União Brasil e Progressistas (PP), anunciou a adesão oficial à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) na corrida ao Palácio do Planalto. O movimento consolida um importante alinhamento partidário e garante ao candidato da oposição uma das estruturas organizacionais de maior alcance no território nacional.

A declaração de apoio foi oficializada após uma reunião de emergência das executivas nacionais das duas siglas, realizada na sede da federação em Brasília. O encontro reuniu as principais lideranças de ambas as legendas, incluindo o presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, e a senadora Tereza Cristina (PP-MS).

Segundo informou a senadora Tereza Cristina ao final da deliberação, o alinhamento com a campanha de Flávio Bolsonaro não enfrentou resistências internas e foi aprovado por unanimidade pelos membros dos diretórios e pelas bancadas partidárias.

Impacto na Bancada Federal e reconfiguração de forças no Congresso

A formalização da União Progressista ao lado de Flávio Bolsonaro transfere para o palanque do candidato o peso institucional de dois dos partidos mais influentes na política brasileira. A aliança assegura à candidatura ampla capilaridade de cabos eleitorais, prefeitos e governadores distribuídos pelo país, elemento considerado crucial pelas equipes de campanha durante o curto período da propaganda eleitoral no segundo turno.

No âmbito do Poder Legislativo, a dimensão do bloco é expressiva. Nas eleições deste ano, União Brasil e PP elegeram, de forma combinada, uma bancada composta por 86 deputados federais.

Apesar de a soma atual representar uma das maiores forças políticas da Câmara dos Deputados, o resultado do pleito deste ano marcou uma retração no tamanho das bancadas federais das duas siglas. Nas eleições gerais de 2022, quando disputaram de maneira isolada, os dois partidos obtiveram, juntos, 106 assentos na Câmara — sendo 59 conquistados pelo União Brasil e 47 pelo PP. A comparação direta entre as duas legislaturas aponta uma perda líquida de 20 cadeiras, o que equivale a uma redução de 18,9% na presença parlamentar da federação.

Mesmo com a oscilação negativa, o bloco mantém posição indispensável na articulação do Congresso Nacional e traz consigo recursos expressivos do fundo partidário e eleitoral, além de capilaridade nas capitais e grandes centros urbanos.

O desafio da unificação e as posturas da Terceira Via

O apoio institucional da União Progressista ocorre em um momento em que as campanhas finalistas aceleram a busca por adesões formais e pela transferência de votos de candidaturas derrotadas na primeira etapa da eleição.

Enquanto a candidatura do PL contabiliza a adesão unânime do bloco formado por União Brasil e PP, outros quadros que disputaram o primeiro turno optaram pelo afastamento direto do debate do segundo turno. Concorrentes como Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão), terceiro e quarto colocados na apuração de domingo, declararam publicamente que manterão neutralidade absoluta, recusando o apoio tanto a Flávio Bolsonaro quanto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição.

Com o quadro de alianças partidárias em fase final de consolidação, os candidatos iniciam as estratégias de rua e televisão focadas no eleitorado indeferido. A votação do segundo turno das Eleições 2026 está agendada pela Justiça Eleitoral para o dia 25 de outubro.

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