Candidato do PL ao governo do estado coloca segurança pública no centro da campanha e defende ampliação do sistema prisional, endurecimento contra lideranças criminosas e novos critérios para avaliar o desempenho das forças policiais

Rio de Janeiro, 11 de setembro de 2026 — O candidato do PL ao governo do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, pretende construir quatro novos presídios no estado e promover mudanças na forma como policiais e comandantes são avaliados. As propostas fazem parte de um programa de segurança pública que também prevê maior controle sobre lideranças de organizações criminosas, ampliação do trabalho prisional, uso de tecnologia, integração entre as forças de segurança e retomada permanente de territórios dominados pelo crime organizado.

Ruas afirma que o sistema penitenciário fluminense enfrenta um déficit expressivo de vagas. Segundo o candidato, existem aproximadamente 47 mil pessoas presas para cerca de 26 mil vagas. A construção das quatro unidades seria uma das medidas para ampliar a capacidade do sistema e reduzir a superlotação. A proposta também prevê a utilização de parcerias público-privadas para a construção e administração das novas estruturas.

O candidato defende ainda uma mudança na gestão dos presídios, com separação de presos de acordo com o grau de periculosidade e isolamento de lideranças de facções criminosas, dentro das possibilidades previstas pela legislação. Ruas também propõe ampliar o trabalho dos detentos e endurecer as regras para chefes de organizações criminosas, incluindo restrições a benefícios penitenciários quando juridicamente cabíveis. A intenção declarada é dificultar que criminosos continuem comandando atividades das ruas de dentro das unidades prisionais.

Outra mudança defendida por Ruas envolve os indicadores utilizados para avaliar a Polícia Militar e a Polícia Civil. O candidato critica o modelo atual, especialmente a utilização da letalidade violenta como referência para medir o desempenho policial. Ele argumenta que mortes decorrentes de confrontos não deveriam produzir o mesmo efeito administrativo que homicídios praticados por criminosos e defende que a avaliação dos comandos considere principalmente a capacidade de retomar e manter territórios controlados por organizações criminosas.

A proposta inclui o uso mais intenso de inteligência, drones, câmeras, reconhecimento de placas e integração entre as polícias e órgãos federais. Ruas também defende ações contra as estruturas financeiras das facções, atingindo atividades ilegais que movimentam recursos, como exploração clandestina de serviços e comércio em áreas dominadas pelo crime.

O discurso de segurança pública ganhou força justamente no momento em que Ruas apresenta crescimento nas pesquisas eleitorais. No Datafolha divulgado nesta sexta-feira, ele aparece com 25% das intenções de voto, seis pontos acima do levantamento anterior, enquanto Eduardo Paes registra 43%. A diferença entre os dois caiu de 22 para 18 pontos. Entre os eleitores que se identificam como bolsonaristas, Ruas avançou de 33% para 48%, consolidando-se como o principal adversário de Paes no levantamento.

Apesar do crescimento, Paes ainda mantém vantagem significativa. Considerando os votos válidos, o atual líder da disputa tem 49%, contra 28% de Ruas. Em uma eventual simulação de segundo turno entre os dois, Paes aparece com 54% e Ruas com 34%. Os números mostram, porém, que o candidato do PL vem ampliando seu espaço na disputa e transformando a segurança pública em uma de suas principais bandeiras eleitorais.

Ruas, que é inspetor da Polícia Civil e preside a Assembleia Legislativa do Rio, procura utilizar sua experiência na área de segurança para diferenciar sua candidatura. O projeto apresentado combina mais vagas no sistema penitenciário, maior rigor contra as organizações criminosas e mudança nos critérios de avaliação policial, com a promessa de que o Estado permaneça nos territórios depois das operações de retomada.

A proposta ainda depende de detalhes sobre localização, custos, cronograma e modelo de construção das quatro unidades prisionais. Também deverá enfrentar discussões sobre orçamento, execução penal e controle da atividade policial. Politicamente, entretanto, o pacote reforça a estratégia de Douglas Ruas de fazer da segurança pública o principal eixo de sua campanha e de ampliar sua votação em uma disputa na qual ele vem reduzindo a distância para Eduardo Paes.

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